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Propaganda enganosa no aluguel por app: fotos diferentes da realidade? Veja seus direitos

Advogada especialista em direito do consumidor em São Paulo prestando consultoria sobre propaganda enganosa no aluguel por aplicativo.

Chegar ao imóvel alugado para as férias ou trabalho e descobrir que ele não lembra em nada as fotos do anúncio é um pesadelo.

O impacto emocional e financeiro é imediato. A sensação de ter sido enganado trava qualquer plano de descanso ou produtividade, gerando um estresse que ninguém merece.

É uma frustração que pode custar caro, tanto no bolso quanto na saúde mental de quem só queria um lugar digno para ficar.

Para quem reside ou está de passagem pela Grande São Paulo, lidar com essa situação nos fóruns paulistas exige uma estratégia técnica precisa. Este cenário configura, sem dúvida, propaganda enganosa.

Aluguei um imóvel por aplicativo e as fotos eram falsas: o que fazer?

A primeira atitude é registrar tudo e notificar a plataforma imediatamente. O Código de Defesa do Consumidor protege o locatário e permite exigir o cancelamento da reserva com devolução integral dos valores ou o abatimento proporcional do preço.

Se você está nessa situação, o passo inicial é documental. Tire fotos e faça vídeos de cada cômodo, mostrando a discrepância com o anúncio.

O registro visual e a notificação formal dentro do aplicativo são provas cruciais para qualquer ação futura. Sem elas, sua palavra terá menos força diante de uma contestação.

Em seguida, entre em contato com o suporte da plataforma (Airbnb, Booking, etc.) relatando o problema. A maioria tem políticas de cancelamento e reembolso para esses casos, mas é preciso agir rápido.

O prazo para reclamar de vícios aparentes, como a diferença nas acomodações, é de 90 dias para serviços duráveis, conforme o Artigo 26 do Código de Defesa do Consumidor (CDC). Mas, na prática, quanto antes você agir, melhor.

O que diz o Código de Defesa do Consumidor sobre propaganda enganosa no aluguel?

O CDC proíbe qualquer publicidade enganosa, definindo-a como aquela capaz de induzir o consumidor em erro sobre as características do serviço. O locatário tem o direito de receber exatamente o que foi ofertado, sob pena de violação dos Artigos 30 e 37.

Essa proteção é clara. O Artigo 30 do CDC estabelece que toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer meio, obriga o fornecedor e integra o contrato.

Se as fotos mostravam uma piscina climatizada e o local tem apenas um tanque de fibra desativado, há uma quebra de oferta.

O Artigo 37 reforça que é proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. É considerada enganosa qualquer modalidade de informação que, por omissão, induza o consumidor em erro sobre a natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades ou preço do serviço.

A discrepância entre as fotos e a realidade é uma “omissão” ou uma afirmação falsa que viola a boa-fé objetiva, princípio que rege todas as relações de consumo em São Paulo.

Posso exigir o cancelamento e reembolso total se o imóvel for diferente do anúncio?

Sim, você pode exigir a rescisão do contrato de aluguel por app e a devolução de todo o dinheiro pago. O Artigo 35 do Código de Defesa do Consumidor lhe garante essa opção, além da possibilidade de perdas e danos se o problema causar transtornos graves.

Se a oferta não for cumprida, o CDC lhe dá três opções claras:

  1. Exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, apresentação ou publicidade;
  2. Aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente;
  3. Rescindir o contrato, com direito à restituição da quantia eventualmente antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e danos.

Na maioria dos casos de aluguel por temporada na região metropolitana de São Paulo, a terceira opção é a mais viável. O reembolso deve incluir a taxa de serviço da plataforma e a taxa de limpeza, sem qualquer retenção por parte do anfitrião.

A plataforma de aluguel (Airbnb, Booking) é responsável pela propaganda enganosa?

Sim, as plataformas de aluguel por aplicativo têm responsabilidade solidária. Elas não são meras intermediárias, pois lucram com a transação e definem as regras, respondendo conjuntamente com o anfitrião pelos danos causados ao consumidor.

Essa é uma tendência consolidada no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). As plataformas integram a cadeia de fornecimento de serviços e, portanto, são responsáveis por falhas na prestação, inclusive a propaganda enganosa.

Não aceite a desculpa de que “nós só fazemos a ponte”.

A responsabilidade solidária, prevista nos Artigos 7º, parágrafo único, e 25, § 1º, do CDC, permite que você processe tanto o anfitrião quanto a plataforma para garantir seus direitos. Na prática paulista, muitas vezes é mais eficaz acionar a plataforma, que possui maior lastro financeiro e estrutura de atendimento.

Como funciona na prática em São Paulo?

Imagine a seguinte situação: Cláudia, uma designer que mora em Guarulhos, alugou um apartamento no Itaim Bibi, em São Paulo, por um aplicativo. As fotos mostravam um espaço moderno, clean e com vista para o Parque do Povo, ideal para um fim de semana de descanso e trabalho focado.

Ao chegar no local com seu noivo, o cenário era outro.

O apartamento estava sujo, com cheiro de mofo, a vista era para um paredão de concreto e a “cozinha equipada” tinha apenas um micro-ondas quebrado. As fotos haviam sido tiradas há anos e editadas excessivamente. O impacto emocional foi devastador.

A reação de Cláudia foi técnica: ela não desfez as malas e começou a tirar fotos e fazer vídeos de tudo, registrando os problemas e a vista real. Em seguida, notificou a plataforma e o anfitrião pelo chat do app, exigindo o cancelamento e reembolso integral.

O anfitrião se recusou, alegando que “as fotos eram ilustrativas”. A plataforma demorou a responder.

Sem solução amigável e precisando de um lugar para ficar, Cláudia alugou um hotel próximo e documentou todos os gastos extras. De volta a Guarulhos, ela buscou orientação jurídica especializada em direito do consumidor na capital paulista.

Com base nas provas colhidas (fotos, vídeos, conversas no chat, comprovantes de pagamento do app e do hotel), a advogada de Cláudia ajuizou uma ação no Juizado Especial Cível (JEC) de São Paulo. A ação pedia o reembolso integral dos valores pagos à plataforma e ao anfitrião, indenização pelos gastos com o hotel e danos morais pelo transtorno, frustração e quebra de expectativa.

O TJSP tem reiteradas decisões reconhecendo que a frustração de uma expectativa legítima de lazer, causada por propaganda enganosa em aluguel por temporada, configura dano moral indenizável. Cláudia obteve a restituição dos valores e uma compensação financeira pelos danos morais, confirmando a responsabilidade solidária da plataforma e do anfitrião.

Mini-FAQ: Dúvidas rápidas sobre fotos falsas no aluguel por app

Tenho direito a indenização por danos morais se as fotos do imóvel forem falsas?

Sim, é possível pleitear danos morais. Se a situação causar frustração grave, cancelamento de planos de lazer ou trabalho, e o consumidor for submetido a estresse excessivo, os tribunais de São Paulo costumam reconhecer o direito à indenização.

Qual o prazo para reclamar de propaganda enganosa no aluguel por temporada?

O prazo legal para reclamar de vício aparente no serviço é de 90 dias, mas a recomendação é agir de imediato, assim que você constatar a diferença. O ideal é notificar a plataforma e o anfitrião nas primeiras 24 horas.

Posso processar apenas a plataforma de aluguel (Airbnb, Booking)?

Sim, você pode processar tanto o anfitrião quanto a plataforma, ou apenas um deles. A lei permite que o consumidor escolha quem acionar para reparar o dano, e as plataformas têm responsabilidade solidária pela cadeia de fornecimento.

A importância de uma análise técnica

Lidar com propaganda enganosa no aluguel por aplicativo envolve questões jurídicas complexas e detalhes específicos de cada caso concreto. A aplicação da lei pode variar de acordo com as provas colhidas, o comportamento das partes e os termos de uso de cada plataforma.

A orientação deste artigo não substitui a análise técnica individualizada de um advogado especialista. Somente um profissional qualificado pode avaliar os fatos, verificar a viabilidade de uma ação e traçar a melhor estratégia para resguardar seus direitos em São Paulo, respeitando os preceitos éticos da OAB.

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